quarta-feira, 9 de maio de 2007

TRILHO DO CURRAIS - GERÊS



No passado dia 6 de Maio, foi efectuado o reconhecimento do percurso que se realizará no próximo dia 20 de Maio: o Trilho dos Currais. A extensão deste percurso é de 10 km, com uma duração de aproximadamente 5 horas e dificuldade de média a elevada. O trilho dos currais está inserido na temática “tradições comunitárias” e proporciona um contacto directo com o espírito e tradições comunitárias locais. Desenvolveu-se, na serra do Gerês, a prática comunitária de organização silvo-pastoril em forma de vezeira, que decorre de Maio a Setembro. O gado bovino da comunidade é encaminhado pelos caminhos carreteiros, para os currais na serra alta. Os proprietários do gado chamados vezeiros, acompanham o gado durante dias ou semanas e permanecem nas cabanas dos currais.





Neste magnífico dia de sol, o Gerês recebe-nos com toda a pujança de uma vegetação acabada de despertar. São vários os matizes do verde, mais claros, mais escuros, mais brilhantes, num quadro de contrastes que prende o olhar, enquanto as flores nos deleitam com as suas formas e cores. Sem querer desmerecer qualquer outra, pois cada uma tem o seu encanto, a Primavera é sem dúvida a melhor estação para nos embrenharmos na natureza e o Gerez, o lugar privilegiado.




O início do percurso dista de poucos metros do parque de campismo do Vidoeiro. Equipado com ânimo e boa disposição, o grupo iniciou a subida íngreme, um desnível de 500 metros para chegar ao topo. A exigência física do percurso foi sendo atenuada pela beleza que oferece. As maias afloram-nos e afastam delicadamente os seus tenros ramos à nossa passagem. Os raios do sol atravessam a densa cúpula de vegetação e iluminam uma pedra, uma flor, uma árvore – a folhagem resplandece. O som da água acompanha-nos discretamente.

Finalmente chegamos ao topo e avistamos já o Curral da Lomba do Vidoeiro, com a clareira, a cabana dos pastores e as grandes mariolas que sinalizam o lugar. Mais além o grupo faz uma pausa para um bem merecido lanche.









Prosseguimos o nosso caminho e passamos pelo Curral da Carvalha das Éguas. Cruzamos com um rebanho de cabras…muitas cabras…que se detêm e miram-nos curiosas… (estranha sensação de que em vez de ser o observador, sou a criatura observada) … Deixamos o Curral e o rebanho para trás. O trilho serpenteia agora, por entre impressionantes formas rochosas, algumas em precário equilíbrio, como guardiãs do caminho.


A vegetação torna-se novamente abundante. Cruzamos pinheiros bravos e silvestres, pereiras bravas, aceres, carvalhos, urzes, tojais… No chão encontram-se vestígios da presença dos javalis. Subitamente, ouve-se o som de cascos que se aproxima rapidamente. Instintivamente, desviamo-nos do caminho, enquanto um bando de cavalos surge a galope e passa por nós. Retomamos o trilho. A nossa direita, o Curral da Espinheira.

E chegamos a Pedra Bela, a 829 metros de altitude, que nos presenteia com uma magnífica paisagem para o vale e para a barragem da Caniçada. É o lugar ideal para a pausa do almoço.





Descansados e de barriga cheia, é a hora de partirmos. Um último olhar para a paisagem e iniciamos a descida que é íngreme, tal qual a anterior subida. É necessário todo o cuidado e atenção, não vá alguém cair… A meio, efectuamos uma pequena paragem para saciar a sede, junto a fonte do Curral do Gaio.

A descida desemboca na Vila do Gerês. O trilho prossegue pela sombra de um caminho em paralelo, que contorna a vila. Depois de mais algum tempo de marcha, chegamos finalmente ao fim do percurso, com o corpo cansado, mas com a mente e a alma revitalizadas por este intenso contacto com a Natureza.

1 comentário:

Antonio disse...

Malta, olhem que este trilho é facílimo........ para quem já lá está em cima....hehehe

A nossa Historia

A minha foto
Antas - Esposende., Portugal
***Rio Neiva – associação de defesa do ambiente*** -Departamento de Pedestrianismo- O departamento deu os primeiros passos num encontro de vontades. Vontade de fazer algo diferente, vontade de ter um grupo para caminhar e conhecer mais de perto a natureza, vontade de partilhar experiências, vontade de ir… perto ou longe, mas simplesmente caminhar e conhecer de uma forma saudável e activa, sem compromissos que não sejam de exclusividade com a preservação da natureza e com o respeito pelas gentes e costumes. Um pequeno grupo foi lançando o repto a quem lhe estava próximo e devagarinho, pé ante pé, a vontade tornou-se uma realidade incontornável: Havia muita gente com vontade de fazer das caminhadas o seu desporto. A existência de uma associação de defesa do ambiente, a Rio Neiva, na freguesia de Antas, concelho de Esposende, local de residência ou naturalidade dos membros do grupo, logo criou um ponto de partida para uma organização e nasceu o departamento de pedestrianismo da Rio Neiva – associação de defesa do ambiente.